"Enfim, para a conclusão dessa moral, decidi passar em revista as diversas ocupações que os homens exercem nesta vida, para procurar escolher a melhor; e, sem que pretenda dizer nada sobre as dos outros, pensei que o melhor a fazer seria continuar naquela mesma em que me achava, isto é, empregar toda a minha vida em cultivar minha razão, e adiantar-me, o mais que pudesse, no conhecimento da verdade, segundo o método que me prescrevera.
Eu sentira tão extremo contentamento, desde quando começara a servir-me deste método, que não acreditava que, nesta vida, se pudessem receber outros mais doces, nem mais inocentes; e, descobrindo todos os dias, por seu meio, algumas verdades que me pareciam assaz importantes e comumente ignoradas pelos outros homens, a satisfação que isso me dava enchia de tal modo meu espírito, que tudo o mais não me tocava. Além do que, as três máximas precedentes não se baseavam senão no meu intuito de continuar a me instruir: pois, tendo Deus concedido a cada um de nós alguma luz para discernir o verdadeiro do falso, não julgaria dever contentar-me, um só momento, com as opiniões de outrem, se não me propusesse empregar o meu próprio juízo em examiná-las, quando fosse tempo; e não saberia isentar-me de escrúpulos, ao segui-las, se não esperasse não perder com isso ocasião alguma de encontrar outras melhores, caso as houvesse.
E, enfim, não saberia limitar os meus desejos, nem estar contente, se não tivesse trilhado um caminho pelo qual, pensando estar seguro da aquisição de todos os conhecimentos de que fosse capaz, julgava estar seguro da aquisição de todos os verdadeiros bens que alguma vez viessem a estar em meu alcance; tanto mais que, não se inclinando a nossa vontade a seguir ou fugir a qualquer coisa, senão conforme o nosso entendimento lha represente como boa ou má, basta bem julgar, para bem proceder, e julgar o melhor possível para proceder também da melhor maneira, isto é, para adquirir todas as virtudes e, conjuntamente, todos os outros bens que se possam adquirir; e, quando se está certo de que é assim, não se pode deixar de ficar contente." - Descartes
A dor e a delícia de saber, e saber mais sempre :)
Grifando e "negritando" o texto lembrei de um pensamento que me ocorreu lendo o livro. Comprei em um sebo então há resquícios de leitura de outra pessoa, como trechos sublinhados. A parte legal de pegar livro riscado é que a gente acaba prestando atenção no trecho que chamou atenção de outra pessoa, já estava destacado para ela (no mundo das idéias). Assim como eu li este trecho (que não estava sublinhado pela pessoa que leu antes de mim) e este pedaço me saltou aos olhos. A pessoa que leu antes de mim buscava alguma comprovação de Deus, já que trechos onde a fé estava em evidencia e a existência de algo superior era argumentada. Eu vou terminar o livro quase com a certeza de que não vou acreditar no mesmo Deus que esta pessoa vê e encontra evidências de sua existência no mesmo livro que leio, onde eu encontro evidencias para outros assuntos.
De forma que é tão natural utilizarmos todas as coisas que acontecem a nossa volta como argumento que justificam o que vemos. E não vemos para depois argumentar. No dito popular, onde o pior cego é aquele que não quer enxergar, todos nós temos cabresto para nosso íntimo.
quinta-feira, dezembro 06, 2012
terça-feira, dezembro 04, 2012
O Discurso do Método - Anotação I
Trecho, que pessoalmente achei muito bom, retirado do livro:
"Minha segunda máxima consistia em ser o mais firme e o mais resoluto possível em minhas ações, e em não seguir menos constantemente do que se fossem muito seguras as opiniões mais duvidosas, sempre que eu me tivesse decidido a tanto. Imitando nisso os viajantes que, vendo-se extraviados nalguma floresta, não devem errar volteando, ora para um lado, ora para outro, nem menos ainda deter-se num sítio, mas caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado, e não mudá-lo por fracas razões, ainda que no começo só o acaso talvez haja determinado a sua escolha: pois, por este meio, se não vão exatamente aonde desejam, ao menos chegarão no fim a alguma parte, onde verossimilmente estarão melhor do que no meio de uma floresta.[...] E isto me permitiu, desde então, libertar-me de todos os arrependimentos e remorsos que costumam agitar as consciências desses espíritos fracos e vacilantes que se deixam levar inconstantemente a praticar, como boas, as coisas que depois julgam más." - René Descartes
E que me deu uma resposta a uma velha discussão entre eu e outra parte, onde outra parte defende que não adianta ter uma opinião, porque uma opinião em um ponto de vista estará certa mas em outro ponto de vista pode estar errada. Portanto defende-la não é algo racional: a posição "em cima do muro" é a mais correta para ser adotada já que não é possível ter a certeza do correto posicionamento.
Segundo Descartes, esta pessoa fica perdida no meio da floresta. O que acho bom para quem não quer chegar a lugar nenhum e satisfeito com sua condição. E não esta disposto a arriscar o caminho errado - perda de tempo depois de uma longa jornada.
Para as mentes inquietas, isso nunca está bom.
"Minha segunda máxima consistia em ser o mais firme e o mais resoluto possível em minhas ações, e em não seguir menos constantemente do que se fossem muito seguras as opiniões mais duvidosas, sempre que eu me tivesse decidido a tanto. Imitando nisso os viajantes que, vendo-se extraviados nalguma floresta, não devem errar volteando, ora para um lado, ora para outro, nem menos ainda deter-se num sítio, mas caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado, e não mudá-lo por fracas razões, ainda que no começo só o acaso talvez haja determinado a sua escolha: pois, por este meio, se não vão exatamente aonde desejam, ao menos chegarão no fim a alguma parte, onde verossimilmente estarão melhor do que no meio de uma floresta.[...] E isto me permitiu, desde então, libertar-me de todos os arrependimentos e remorsos que costumam agitar as consciências desses espíritos fracos e vacilantes que se deixam levar inconstantemente a praticar, como boas, as coisas que depois julgam más." - René Descartes
E que me deu uma resposta a uma velha discussão entre eu e outra parte, onde outra parte defende que não adianta ter uma opinião, porque uma opinião em um ponto de vista estará certa mas em outro ponto de vista pode estar errada. Portanto defende-la não é algo racional: a posição "em cima do muro" é a mais correta para ser adotada já que não é possível ter a certeza do correto posicionamento.
Segundo Descartes, esta pessoa fica perdida no meio da floresta. O que acho bom para quem não quer chegar a lugar nenhum e satisfeito com sua condição. E não esta disposto a arriscar o caminho errado - perda de tempo depois de uma longa jornada.
Para as mentes inquietas, isso nunca está bom.
quarta-feira, novembro 28, 2012
Sociólogo e pensador, de verdade
Fugindo dos Gols do Fantástico domingo e sofrendo com a TV aberta, fomos nos abrigar naquela canal mais culto e não necessariamente mais chato ou difícil de entender, pelo contrário, explica tudo (TV Cultura). Explica tudo e de uma forma bem melhor que eu consigo fazer, como por exemplo no café filosófico que estava passando, Zygmunt Bauman estava dissertando sobre um assunto que postei semana retrasada. Claro, ele é infinito melhor nisso do que eu e conseguiu agregar mais informações que eu, na minha humilde experiencia e mediocridade de pensamento, não consegui.
Então segue pra vocês a conclusão sobre o post "viajando na maionese" na visão do sociólogo Zygmunt Bauman, na íntegra aqui. E o resumo das palavras finais em linhas gerais aqui:
Segundo ele, se opinasse nos meus comments ele resumiria: "Somos aquilo que nosso caráter define dentro das oportunidades de nosso destino".
Ou como colocado por ele, o indivíduo é formado por duas coisas: destino e caráter. Destino porque nascemos com uma condição, em uma determinada data, época, condição financeira, cultura - ou seja, não controlamos. E este destino vai afunilar nosso leque de opções sobre que caminho podemos escolher. E caráter é o que vai determinar suas escolhas dentro deste leque de opções. Portanto, cada caminho é algo muito particular, individual. por isso não há receita ou caminho para felicidade. As pessoas que imitam o modo de felicidade de outras traem sua própria felicidade, seu próprio caminho e gostos.
...Mais 90 anos de estudo e eu consigo elaborar um discurso claro e leve como o dele. =]
Então segue pra vocês a conclusão sobre o post "viajando na maionese" na visão do sociólogo Zygmunt Bauman, na íntegra aqui. E o resumo das palavras finais em linhas gerais aqui:
Segundo ele, se opinasse nos meus comments ele resumiria: "Somos aquilo que nosso caráter define dentro das oportunidades de nosso destino".
Ou como colocado por ele, o indivíduo é formado por duas coisas: destino e caráter. Destino porque nascemos com uma condição, em uma determinada data, época, condição financeira, cultura - ou seja, não controlamos. E este destino vai afunilar nosso leque de opções sobre que caminho podemos escolher. E caráter é o que vai determinar suas escolhas dentro deste leque de opções. Portanto, cada caminho é algo muito particular, individual. por isso não há receita ou caminho para felicidade. As pessoas que imitam o modo de felicidade de outras traem sua própria felicidade, seu próprio caminho e gostos.
...Mais 90 anos de estudo e eu consigo elaborar um discurso claro e leve como o dele. =]
sexta-feira, novembro 16, 2012
Ativistas de Redes Sociais, apertai-vos!
Se blog ainda é considerado uma espécie de rede social, vamos ativar!
Esta tirinha dos malvados é ótima. Tão boa quanto o comentário da Rita Lee a favor da Claudia Leitte:
"Meter o cacete no conforto do anonimato é fácil. Apresentar-se em ninho estranho não é para maricas."
Marica que sou, protejo meu nome, minha identidade e pensamentos elaboradora para protege-los do tédio.
E venho através deste blog, que já foi mais radical e dinâmico: cheio de intolerância e polêmica mais excitantes, exercendo meu papel de ativista-de-facebook-marica para apontar o dedo para... Nós!
Porque maricas unidos e alinhados com o mesmo objetivo podem alguma com esta nova ferramenta de comunicação.
Os maricas franceses conseguiram muito no passado. Agora temos tanta estrutura (comunicação mundial em poucos minutos) e motivação (problema a dar com pau), como será que podemos apertar este gatilho?
Não sei a resposta. Mas apertar é um verbo e requere a ação de um sujeito.
Esta tirinha dos malvados é ótima. Tão boa quanto o comentário da Rita Lee a favor da Claudia Leitte:
"Meter o cacete no conforto do anonimato é fácil. Apresentar-se em ninho estranho não é para maricas."
Marica que sou, protejo meu nome, minha identidade e pensamentos elaboradora para protege-los do tédio.
E venho através deste blog, que já foi mais radical e dinâmico: cheio de intolerância e polêmica mais excitantes, exercendo meu papel de ativista-de-facebook-marica para apontar o dedo para... Nós!
Porque maricas unidos e alinhados com o mesmo objetivo podem alguma com esta nova ferramenta de comunicação.
Os maricas franceses conseguiram muito no passado. Agora temos tanta estrutura (comunicação mundial em poucos minutos) e motivação (problema a dar com pau), como será que podemos apertar este gatilho?
Não sei a resposta. Mas apertar é um verbo e requere a ação de um sujeito.
Juntando milhagem na maionese
Como não me canso se ser repetitiva, porque é desta forma que podemos elaborar mais crenças e torná-las real, vim aqui adicionar uma palavra as opções: "Você é aquilo que você decide ser (e negocia) - sendo ser o conceito: penso, logo existo".
Para mim a primeira palavra é decisão, não pode ser nem escolha. Porque escolha é um tanto quanto passiva, como se vc sempre tivesse duas ou mais opções e apontasse para uma. Decisão envolve análise e processo decisório, onde você inclusive pode decidir que nenhumas das alternativas será escolhida e criar uma nova. Para mim, "o leme" da nossa vida é o que decidimos - e efetivamos. Chato, nada poético e com muito suor.
Não seremos tolos ou apressados em responder que, como somos o que decidimos: decidi ser imperador, logo serei. Com os pés devidamente apoiados no chão, utilizando todas as variáveis e constantes do mundo real e considerando todas as possiveis limitações - temos um poder de decisão restrito. Uns mais restritos que outros. É por isso que algumas pessoas podem decidir que querem ser divas outras não. Umas podem decidir seguir em frente com sua idéia e ser um gênio, outras passarem fome e assim por diante.
Boas decisões são resultados de uma análise bem feita sobre o que você é e o quem você tem no momento X (porque a linha do tempo não para). Com uma margem de erro para mais ou para menos baseado no acaso, popularmente chamados sorte e azar e fator de risco pelos administradores. Bons resultados é quando a decisão é realizada e o acaso não mela com tudo. Sucesso são boas decisões realizadas com um certo alinhamento dos planetas.
Funcionaria simples assim se vivêssemos isolados. Porém, cruzamos com pessoas o tempo todo e temos relacionamentos amorosos, profissionais, amigáveis, familiares e estranhos que impactam diretamente nossas decisões. Inclusive, da mesma forma que decidimos também sofremos as decisões de outros que interagem conosco. Sejam estas decisões: um fim de relacionamento, uma divida, uma dor, um mal humor, uma alegria ou seja lá qual foi a decisão do próximo - somos impactados e dependendo do grau de comprometimento, podemos até compartilhar da responsabilidade da decisão de outrem.
Quando falamos de tomar uma decisão em conjunto, conceituamos negociação. Diferente do mundo profissional, onde reconhecemos que um processo decisório está sendo tomado pois há uma indefinição, uma reunião com hora marcada... Na nossa vida tomamos decisões e executamos sem perceber. E a ignorância é uma arma poderosa, por isso produzimos tanto esterco (eufemismo mode on).
Em uma aula de negociação e gerenciamento de conflitos que tive, não esqueci o que o professor disse: "Estamos negociando o tempo todo, seja para comprar um sorvete, escolher emprego, escolher o almoço ou que filme vamos ver domingo a noite, que canal de tv assistir, escolher horário da reunião. Uma pessoa que pratica tanto alguma coisa fica boa nisso (sobre esportistas e músicos, por exemplo). Porque ainda falhamos tanto na comunicação e sempre entramos em conflito?". Refleti e a aula ajudou bastante a perceber: não percebemos isso. O timing da nossa vida é diferente. Decido sem perceber que estou decidindo até. Fazemos tanto isso que é automático, como dirigir. O que não quer dizer que a cada vez que dirigimos nos tornamos melhores motoristas.
Se você leu até aqui... Pode ter batido aquele pensamento de: vou me policiar. OU, se você é mais controlador, assustado porque percebe que é impossível estar atento a tudo que acontece com você e os outros para controlar a vida e fazer ela andar rumo ao sucesso. Se você é do tipo que adora procrastinar e chegou até aqui, vai pensar que um dia vai arrumar sua vida e a partir deste dia vai começar a ser atento a suas decisões e negociações. Se você é normal, não chegou até aqui no texto. Mas se chegou e está tranquilo, você está comigo. Afinal, a vida sempre funcionou assim a gente percebendo ou não e as coisas tem dado certo desde então. É uma regulagem natural, provavelmente todos estão comigo, porque no fim das contas nos atentamos a aquilo que consideramos importante - nossos valores. Não porque sabemos que não podemos abraçar o mundo: porque sempre tentamos.
Mas porque é uma regulagem natural do ser humanos que nos ajuda a ser mais feliz.
segunda-feira, julho 12, 2010
domingo, junho 27, 2010
Comfort Zone.
Quando escrevi o post anterior não sabia o que iria falar ainda, mas queria seguir o padrão que uso para a maioria dos posts: uma reclamação, o exagero dela e com argumentações ordinariamente utilizadas e superlativas, e uma conclusão, que não seja na maioria da vezes a óbvia ou correta. Como Mimmy sabe bem, a polêmica é o objetivo do autor.
Um dos motivos que não falo o que penso é que eu não quero pregar uma verdade e dividir o certo do errado. Outro motivo é que uma conclusão mais racional considerando todas as variáveis de sentimentos e fatos e históricos que geralmente deixam o post extenso e finalizado em tom de tristeza ou de militante feliz buscando a paz mundial e harmonia entre os homens.
Mais principalmente: não faço porque e extenso.
De qualquer forma, o que motivou 90% dos comentários (mover: clicar, logar e escrever) foi a discordância do assunto.
terça-feira, junho 22, 2010
Capa dura
Não sei se é "coisa da idade", se a rotina, o trabalho, se é a calmaria ou a falta de novidade - ou até mesmo a busca constante dela. O fato é que tudo já se foi falado. O chocante é tão vulgarmente utilizado que o ácido do estômago já acostumou. E que não existe um Deus e nem uma saída fantástica que vai mudar tudo isso. Não adianta tentar buscar em livros que relatam e aumentam a beleza dos detalhes que só se encontram em narrativas. Não adianta buscar em filmes pois sem a edição de cenas temos o prolongamento do momento sublime até que ele se torne comum. Não adianta uma música boa pois não temos acompanhamento de trilha sonora. Não adianta se dedicar demais a uma coisa e deixar as outras de lado. Não adianta abraçar o mundo e não fazer nada direito. Não adianta deixar de sonhar para não correr o risco de não conseguir. Não adianta querer algo só porque precisa de um objeto para almejar.

É preciso raiva para seguir em frente, porque o amor amadurece.
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